Abaixo, retirado da revista Polichinello on-line (http://www.polichinello2004.blogger.com.br/), a triste realidade da internet e do direito autoral.

Casa das Rosas - São Paulo
Quinta-feira, dia 18 de junho
19 horas Mesa de discussão: Literatura e práticas de ação cultural, com Ademir Demarchi, escritor e editor da Revista Babel; Marcelino Freire, escritor e Carlos Pessoa Rosa, escritor e colaborador do coletivo Dulcinéia Catadora.
20h30 Lançamentos dos livros de André Carneiro, Marco Aqueiva, Tatiana Belinky e Tatiana Fraga 
Processo judicial retira da internet as melhores páginas sobre Heidegger e Derrida
A notícia e quase todos os links me chegam via Catatau. A bolorenta, naftalínica e anacrônica lei de copyright continua fazendo seus estragos pelo mundo afora. Horacio Potel, professor de filosofia da Universidade Nacional de Lanús, na Argentina, é o responsável por dois sites dedicados às obras de Heidegger e Derrida, nos quais ele havia compilado, desde 1999, com financiamento próprio e sem fins lucrativos, uma impressionante coleção de traduções castelhanas dos dois filósofos. Elas não eram simplesmente duas páginas dedicadas a Heidegger e Derrida. Eram, de longe, os melhores recursos existentes sobre os dois pensadores em toda a internet, em qualquer língua.
Eis que a editora francesa Minuit aciona a embaixada francesa em Buenos Aires e esta aciona a Câmara Argentina do Livro, de triste memória. O professor Potel recebe a singela visita da polícia, que lhe comunica que ele é vítima de um processo judicial por violação da lei de copyright. Avisam-lhe que ele pode receber de um mês a seis anos de cadeia por tornar disponíveis esses textos, ainda protegidos pela lei de direitos autorais, já que tanto Heidegger como Derrida morreram há menos de setenta anos. Avisam-lhe também que sua correspondência e sua casa poderão ser violadas ao longo do processo.
É difícil sobredimensionar o que representaram essas páginas para os estudantes de filosofia sem grana em toda a América Latina. As edições espanholas têm preços proibitivos nos países hispanoamericanos. Não é raro que uma brochura de 80 páginas chegue a Buenos Aires custando o equivalente a 60 dólares. O site feito pelo Professor Potel com as obras de Nietzsche – livre da querela judicial, já que o bigodudo morreu em 1900 – recebeu mais de quatro milhões de visitas. Eu mesmo conheço vários alunos latinoamericanos que se iniciaram nestes autores através do trabalho voluntário do Professor Potel, e depois, inclusive, passaram a comprar os livros.
Sei que do ponto de vista jurídico não há o que discutir. Os sites configuravam, sim, violação à lei de direitos autorais. O irônico na história é que toda a obra tardia de Derrida está justamente dedicada a desenredar a teia que enlaça os conceitos de sujeito e de autoria com suas ramificações legais nas leis de copyright e de propriedade intelectual. Não tenho a menor dúvida de que Derrida teria visto com carinho o trabalho de Potel. Entre 1999 e 2004, Derrida com certeza teve amplas oportunidades de ouvir falar desse site, e não moveu uma palha para desativá-lo. Este mp3 traz uma entrevista com Horacio Potel, em que o educador relata toda a história.
O Catatau nos prestou o inestimável serviço de colocar links para cada um dos textos na Wayback Machine. Aqui estão as obras de Heidegger e aqui está a impressionante compilação de Derrida. Como sói acontecer com as demandas jurídicas envolvendo a internet, os querelantes remam contra a maré do nosso tempo. Seguindo os links do Catatau é possível copiar, guardar e reproduzir esses textos, deixando que a infinitamente livre circulação de informações pela rede mundial de computadores faça o trabalho de corroer uma lei injusta e anacrônica (enquanto a Wayback Machine não é censurada também). O Biscoito deixa sua solidariedade – e o profundo agradecimento de educador – a Horacio Potel, que está passando por um verdadeiro inferno neste momento.
Escrito por capro às 10h24
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 foto retirada site Folha de São Paulo
Se a sociedade pós-midiática caracterizava-se pela esquizoidia, podemos dizer que agora acrescenta mais uma doença à lista, a Síndrome do Pânico Coletiva. Logicamente, os laboratórios anunciam uma vacina para resolver o problema. Nada mais escatológico-apocalíptico-atmosférico que a psicose social atual. Vamos jogar um pouco de poesia no apocalíptico: Um pouco de Bandeira e Augusto dos Anjos: Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos, / A vida inteira que poderia ter sido e não foi. / Tosse, tosse, tosse. / Mandou chamar o médico. / Diga trinta e três. / Trinta e três... trinta e três... trinta e três... / Respire / O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo / e o pulmão direito infiltrado. / Então doutor, não é possível tentar o pneumotórax? / Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Falar somente uma linguagem rouca, / Um português cansado e incompreensível, / Vomitar o pulmão na noite horrível / Em que se deita sangue pela boca! / Expulsar aos bocados, a existência / Numa bacia autômata de barro / Alucinado, vendo em cada escarro / O retrato da própria consciência... Tome Dr. esta tesoura e corte, A minha singularissima pessoa, O que me importa que a bicharada roa, Todo meu coração depois da morte...
Escrito por capro às 10h22
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Pedido de desculpas... Aviso ao pessoal do PCC, nada de gastar com propinas ou advogados, o aprendizado vem do Senado da Republiqueta das Bananas, nada mais nada menos que de um colunista do jornal que insisto em ler, a Folha de São Paulo, o colunável senhor Sarney que não percebeu no holerite que estava recebendo mais de 3000,00 reais mensais de verba moradia, sem direito a recebê-la: DIANTE DE FLAGRANTE DELITO É SÓ PEDIR DESCULPAS.
Escrito por capro às 09h05
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