DULCINÉIA CATADORA DEFINE OBJETIVOS 2010 - MUITAS SURPRESAS

 

Desde a criação do coletivo Dulcinéia Catadora tínhamos a intenção de atravessar águas divisoras e formar parcerias com autores de língua portuguesa. E Luís Serguilha, escritor e poeta português, marcou o início desse processo, com seu livro Korso. Este ano teremos mais um escritor português no catálogo e procuramos ter a participação de escritores de países africanos de língua portuguesa. Consideramos também a possibilidade de disseminar a ideia de criação de projetos semelhantes no continente africano.

Luís Serguilha é escritor respeitado no Brasil e, com orgulho, podemos acrescentar às suas obras o livro Korso, confeccionado por nós com carinho. Korso pode ser encomendado, bastando enviar o pedido para nosso e-mail, dulcineia.catadora@gmail.com. Além de ter capas únicas, pintadas à mão, é vendido por R$6,00 e chega bem rápido pelo correio.

O livro estabelece um diálogo com poemas de Luci Collin e Ana Maria Ramiro e a elas é dedicado.

Aí vai uma amostra:

linhas-de-fuga-dos-inescritos
As cascas dos pêndulos da cosmopolização descolam-se
entre os carregadores de matrizes da vinhagem (rufar CIBERNÉTICO das estirpes: as glandes dos VITRAIS ¬¬¬ unificam dos radares da mordoma-mor-das-esquadras-lácteas) e as morfinas imprevistas dos portos localizam as terminologias ópticas das ROSAS VELOZES
que enigmaticamente
aspiram as incubações das lamas luminosas
onde os halos das aterragens revisitam os búzios pensativos dos atlas-hinos para balouçarem nas boleias dos socalcos aéreos

(abantesmas-interruptores dos pórticos interiores a enforcarem as camaratas fotográficas nas centopeias-néons: as abóboras escoam os sons das ferraduras até à computação do tórax lunar)
Nas gradações artesianas das placentas transatlânticas os caçadores de válvulas flamejam porque desencadeiam
os arpões magníficos dos lugares “INESCRITOS”

IMPRESSORAS dos RUMORES das cividades
balouçando na voluptuosidade dos crisântemos
(bailados dos pássaros-meridianos das contexturas excêntricas)

“No céu como diamantes ”as minúsculas ânforas de mercúrio coordenam as pautas das jóias no arquejante gérmen das acelerações cerâmicas
e os relâmpagos insaciáveis da seara contrariam a soberana demarcação dos astros da escrita
como um contorno explosivo da actínia a vislumbrar a cordoagem do cavalo ultramarino
que digere os cruzamentos da lava outonal (vulcânica poeta a purificar os ervateiros-medulares e os arquitectos menstruais como cisternas de dialectos a acolher os violinistas-das-monções na ferocidade da espiral vermelha: o enigma fascinador da sua existência sela as baías da respiração das luzes: bússolas a reconciliarem os animais guerrilheiros das polinizações)
As fronteiras-tochas do canavial flutuam
sobre o andamento das vertiginosas substâncias porque a caçada antropófaga asila-se nos ancoradouros-incalculáveis das veias dos núcleos da futuração
(a vaticinação química dos equinócios inclina-se nas manufacturas caleidoscópicas das raízes
para irisar os fechos dos filamentos lucífugos)

DIAMANTE diluviano a extasiar as constelações das ressonâncias entre os mênstruos das penínsulas aracnídeas onde os corpos hipnóticos das palavras desabrocham clepsidras nas flamívomas ervas: as ruminações das mandíbulas desmantelam os chocalhos das danças autobiográficas (profusamente os protectores dos pavões das laranjeiras aclamam os cânticos arquitectónicos dos alfarrabistas e as argilas genuínas concebem respiráculos silenciosos para ascenderem iluminadamente nas tecedeiras invencíveis das caravanas da obscuridade

ENCICLOPÉDIAS de vespas fulminantes no cio inaugural dos itinerários dos abismos autorais ____ grão selvático no refluxo magnético dos navios da linguagem arterialmente inoxidável)

¬¬¬¬¬¬¬___”PARTO DO NADA”__ escorpião-vermelho liquefazendo o abate selectivo das telas giratórias da respiração e o anzol das vocalizações cinge as aves brancas do sangue (ourives imaginário a tropeçar no universo dos violinos de fogo para serpentear entre os fórceps do crocodilo-do-aquário e a rosácea prestidigitadora
que furiosamente subtrai os corredores das tendas herbívoras às meninges zodiacais: os óvulos-bibalves dos reservatórios da animalidade forjam as moléculas do arsenal dos candelabros até à rebentação dos diafragmas onomatopaicos (fundo perfeito dos enxames impacientes: as respirações primitivas electrocutam as pedrarias e os bichos cantam a sexualidade na profundidade dos espelhos)

Para os que ficaram curiosos, recomendamos a leitura de crítica sobre as construções poéticas de Serguilha, realizada por Eclair Almeida e Bruna Ferraz, do grupo de Estudos Blanchoeanos da Universidade de Brasília e postado pela revista germina:



http://www.germinaliteratura.com.br/2009/literatura_dez2009_eclairalmeidaebrunaferraz.htm



Escrito por capro às 18h38
[] [envie esta mensagem] []



Vale um pulo na Revista Tatuí: http://revistatatui.com/

Tatuí

A Tatuí, revista de crítica de arte com versões online e impressa, surgiu, no Recife, em 2006, a partir do encontro de críticos de arte em formação. Seu primeiro número, em forma de fanzine, foi concebido durante o SPA das Artes (evento anual de artes visuais da cidade), sob a ideia de uma crítica de imersão, experimento de crítica de arte que pretendia não se vincular à concepção de distanciamento crítico.

Nos números seguintes da Tatuí, modificaram-se as intenções editoriais. Com outra configuração de equipe, a revista – mantendo seu caráter de independência, experimentalismo e pluralidade – tem proposto debates aos quais se agregam colaborações diversas cujos conteúdos alicerçam um observatório acerca da arte hoje produzida, em especial, no Brasil.

Com apoio do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura – FUNCULTURA, a versão online da Tatuí ganha autonomia diante dos números impressos, publicando quinzenalmente conteúdo inédito disponível também em inglês.



Escrito por capro às 18h33
[] [envie esta mensagem] []



Janeiro começou dengoso, o que me levou a ficar afastado quase um mês do blog. Vai lá a primeira contribuição literária.

LEVANTE

as palavras
devem debelar-se
revelar-se além das erudições
arrastar-se em bueiros, lixeiras e porões
reverberar energias da podridão humana

as palavras
devem adormecer nas ruas
debaixo de viadutos
mesmo com risco dos incendiários

as palavras
devem renunciar à hipocrisia humana
desnudar-se das togas da justiça
com a mesma liberdade que habita o céu da boca das crianças

assim como estão extintos
til e acentos desnecessários
aos porcos os destroços literários
aos túmulos as maçanetas do saber

aceitemos parangolés nas letras
que a voz deve ser a do povo
sem as arcadas putrefatas e falidas
ou a figura de um caipira adoentado
que a poesia deve ter a sutileza
de um trema que está não estando



Escrito por capro às 18h27
[] [envie esta mensagem] []



Sobre defesa de Bárbara Gancia, na Folha, Cotidiano, 8.1.2010, quanto ao comportamento de Boris Casoy ver em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0801201004.htm:

 

Que bárbaro, Barbara! (Sobre "Sirvam a cabeça de Boris com batatas!)

1. ninguém vai cobrar o Lula por ser o gari que se transformou em Presidente, portanto, sua fala continua invisível;
2. pedir desculpas neste país virou moda, limpa tudo, não precisa nem de advogado, quem dera o cidadão que rouba supermercado para alimentar família também pudesse pedir desculpas;
3. A caixinha no final de ano não apaga sentimento de culpa, o bom-dia como instrumento de visibilidade, também não, ambos têm o mesmo peso do pedido de desculpas;

Mais para quê, quando jornalistas precisam de uma tese universitária para perceber o que está ocorrendo no entorno, que não só os garis, mas mais de sessenta por cento da população que vive na mais total escuridão e invisibilidade - a não que passe a ser motivo para a mídia escrita e televisiva, como agora com as desgraças circundantes. Vou sugerir bom-dia ao morador de rua, reciclador de lixo etc.



Escrito por capro às 08h40
[] [envie esta mensagem] []



O clima de festas sempre me deprimiu, nestas épocas, procuro a clausura como o morto a cova, as ruas ficam histéricas, as pessoas enfileiram-se em um prazer pseudo-orgíaco, não percebem a democratura do dia-a-dia, respeito, mas prefiro a clausura, a consciência do abismo, o prazer, quando presente, surge espontaneamente, pode até coincidir com a mudança de ano, mas em geral, ocorre no dia-a-dia.



Escrito por capro às 07h54
[] [envie esta mensagem] []



 

NatalDulciEAnoNéia!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

É isso aí, Dulcinéia Catadora e Meiotom, sempre dividindo o mesmo espaço.
A todos, nosso desejo dobrado de um Bom Ano Novo!

 



Escrito por capro às 20h31
[] [envie esta mensagem] []



Wikipedia Affiliate Button



Escrito por capro às 21h48
[] [envie esta mensagem] []



A NOVIDADE É O PROJETO COLETIVO PIPOL-CRONÓPIOS-AUTORES:

H2HORAS



Escrito por capro às 09h56
[] [envie esta mensagem] []



PLURESIA (aqui, em pdf)

Agora disponível em pdf para ser impresso. É resultado da oficina de grafite + poesia visual (Grafitemas) realizada na biblioteca Alceu Amoroso Lima, por Lúcia Rosa e Lívia Lima. Vale a pena viajar através das imagens produzidas durante o trabalho.

mais grafitemas:

Notícias Dulcinéia Catadora
Site Dulcinéia Catadora
Meiotom
PNETLiteratura



Escrito por capro às 09h52
[] [envie esta mensagem] []





Escrito por capro às 20h20
[] [envie esta mensagem] []



por que
esta tatuagem desde o nascimento
se hoje sou o que nunca
fui?

que nome
é esse que fala de uma pessoa nunca
a mesma!

giro ao redor
de um clichê adotado no nascimento
que é esse
que me olha como pertencimento
mas observo com estranheza

só os poemas
caleidoscópicos fragmentos meus
dispersos e inapreensíveis
que um dia libertar-se-á da autoria


Carlos Pessoa Rosa (Carlos Alberto Pessoa Rosa)
 

Plagiotopia

 

                   a Carlos Pessoa Rosa

Sob a cremação

da lente de contato Bandeira Lispector

da mão laureada Machado Bilac

do blazer ABL modelo fardão Giorgio Armani

construiu-se um monumento

em mármore de Paros

à tecnologia de ponta

Plástica Estética Plágio

rejuvenescimento da originalidade e vagido

Seja o máximo

Estar artista é ser mesmo contra a arte

Marco Aqueiva

 



Escrito por capro às 20h18
[] [envie esta mensagem] []



ÉTICA DO SUSSURRADO

(PoéTica do guardanapo)

PT
Augusta - Certo Hotel - Outubro

: fora
crianças cheiram crack na P. Roosevelt
dentro
respira-se estratégias
                                    e estatísticas
acordos
                 e facilitações

dois Brasis... (a céu aberto)

                         SEMPRE

o ritmo da moeda

                                dos jogos

nada de palavras

                                 e rimas

nada de poesia

(mesmo com a força do fingimento das siglas)



Escrito por capro às 18h32
[] [envie esta mensagem] []



DIA DA CRIANÇA, DIA DA IMAGINAÇÃO

Hoje será um dia muito especial. Se alguém disser que criança é só alegria, devo concordar. Mas apenas hoje. Ninguém vai me colocar para dormir, nem me arrancar da cama na hora que desejarem.  Neste dia, no meu dia da criança, escolhido por mim, o universo será meu brinquedo. Meu quarto terá a minha cara e meu cheiro. Cara de um palhaço espalhafatoso, de bolinhas de vidro misturadas com meias sem par e tênis esgarçados e sujos. O cheiro será o da rua. E ninguém entrará pela porta querendo colocar ordem em tudo, com expressão de que toda a mágoa da família advém de meu jeito de ser. Nada de vozes dando ordens. Hoje ninguém vai me cobrar lição da escola. Vou comer o que bem entender, na hora em que bem quiser, e almoçar se tiver vontade.

Hoje acordei com a macaca. Não sei, nem quero saber, que horas são. Não preciso passar pela cozinha, posso sair e ir direto à sorveteria. Não há nada mais gostoso que um sorvete como primeira refeição. Também vou descobrir que minhas moedas não valem muito. Irá quase tudo no sorvete duplo, de chocolate e creme, que tenho na ideia. Não fosse o dia de hoje, o escolhido, nem pensar em sair de casa sem estar calçado. Ainda mais com a manhã nublada, ameaçando chuva. Mas vou sair sem os sapatos. Pode existir algo mais gostoso que ter os pés afundados em barro? E ter a chuva todinha só para você? Ignorar os cadernos pelo menos por um dia... Esquecer escola e professora.

Dia da criança com os pais em casa não tem graça alguma, tudo funciona como se o dia pertencesse a eles. Eles acordam a gente para um café especial, querem que vistamos o que eles desejam, dão presentes que não pedimos e nos levam para passeios a lugares que escolheram. Mais se parece com o dia dos pais. Daí minha felicidade. Para mim, o dia de hoje será o verdadeiro dia da criança. Não vou tomar café da manhã. No lugar, sorvete. Depois, brincar de carrinho de rolimã, de pipa, de bolinha de vidro. Permanecerei o dia todo com a mesma roupa, não ouvirei a voz de minha mãe me chamando para o almoço, retornarei no final da tarde, sujo, suado e cansado. Sem a ordem de ninguém, mas apenas pelo corpo quebrado de tanto brincar. Banho? Nem pensar! Vou tomar refrigerante gelado com bolacha doce ou pipoca, sem me preocupar com o sofá novo. Assistirei aos programas permitidos apenas para adultos, aqueles que eles escondem da gente quando nos colocam para dormir. Nem vou perceber com a chegada dos sonhos que adormeci no sofá da sala.

Hoje vou chamar todos meus amigos de rua e dizer a eles que devemos renunciar dos pais. Como dizem os adultos, vamos fazer uma greve; de pais. A rua vai ficar cheia de meninos e meninas na maior algazarra. Será proibida a presença de qualquer adulto. Que não se atrevam a invadir o dia de hoje, o dia da criança escolhido por mim. Nenhuma briga terá apartes de gente grande. Ninguém roubará da criança seu direito à perversidade e de fazer xixi na rua. Toda criança terá direito de levar para casa quantos gatos e cachorros desejarem, sem ter de ouvir os sermões dos pais. Nenhum adulto terá o direito de vasculhar e retirar a cera do ouvido de qualquer criança, de dar bronca e reclamar de ferimentos de qualquer espécie.  

Hoje nenhum vizinho poderá reclamar de barulho, de bolas estragando seus jardins, de palavrões ditos ao acaso, das marcas dos pés sujos de barro nos muros. No dia escolhido por mim, como dia da criança, só será permitida a presença de avós, desde que ajam como tal, sempre respeitosos em relação ao dia, mas apenas na rua e em suas casas, que dar uma fugida na casa dos avós no dia da criança é sempre bom demais, acho que devem pensar como eu. Avós sempre são mais maleáveis, permissivos, deixam-nos fazer coisas que os pais não deixariam. Acho que devem ter saudades do que não fizeram na infância.

Para viver um dia assim, da criança, só meu, invento que meus pais saíram de férias e me esqueceram em casa. Cabeça de criança é assim, simples. Sempre sonhei com esse dia. Ele chegou. Criança tem a vantagem de poder imaginar, brincar de coisas impossíveis, com o imponderável, mesmo na minha idade, quando na verdade os pais já partiram para outra, e a crônica me permite um dia da criança, absolutamente único. Na outra infância, fui um pouco o monstro produzido na fábrica dos adultos.



Escrito por capro às 20h46
[] [envie esta mensagem] []



 Creative Commons License



Escrito por capro às 21h12
[] [envie esta mensagem] []





Escrito por capro às 19h46
[] [envie esta mensagem] []



[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]





Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Homem, de 56 a 65 anos, Portuguese, Danish, Arte e cultura, Cinema e vídeo, Livros e Música


Histórico
Categorias
Todas as mensagens
Evento


Votação
Dê uma nota para meu blog


Outros sites
UOL - O melhor conteúdo
BOL - E-mail grátis
BLOCOS
eraodito
MEIOTOM
Ademir Bacca
nalatadopoeta
Cadernos da Bélgica
Rosebud-rose-bud
Ipansotera
Abrace
Artur Gomes
Gerald Thomas
Blob 7 faces
EXTRAVAGANZA
EFEITO COLATERAL
Colecionador de Pedras
Robson Canto
lagrimas de los poetas
PORTUNHOLSELVAGEM
linguaepistolar
RECHAZADOS
TEATROFANTASMA
MARIANA IANELLI
PAULODTOLEDO
POESILHA
PELE DE LONTRA
Germina Literatura
lausiqueira
plazajornal
CRONÓPIOS
PRETOEBRANCOEMCOR
COZINHA CULTURAL
auto-ajuda
aslatrinasdavida
SAM
ipansotera2
thierrytillier
SAMBAQUIS
folhetinsenovelas
revista critério
fósforo
rosebud
polichinello revista literária
ALMADESPIDA
Cultuar
dulcinéia catadora
poetas do brasil
máquina de escrever
Dependência
a mulher da casa
guilhermescalzilli
LITERATURA LIVRE
O CONTRARIO DO TEMPO
alternativa
UMA LAGARTA DE FOGO
chá de borboletas
Balaio Vermelho
fabrício carpinejar
vitor paes
paredesteto
renato tapado
confraria
Revista Pausa
blog do rosa
memória de fogo
OI
valise 2008
fazendoarte
literatura afrobrasileira
meiohomem
udo
rubenscavalcanti
camaradeideias
elmensaje
o sonetista
labirintos no sótão
Valderez Nepomuceno
magriça
blog dulcinéia catadora
TEXTICULINI
LINDAGRAAL
mosaico
sonhodelirante
Revista Tatuí
Estudio 11