Depois da Antropofagia, a Coprofagia

Manifesto coprofágico, por Rroche Selavy

1. Rroche Selavy.


2. Como vimos na explicação, existem aqueles que comem cocô por puro tédio, ou para manter o local limpo e sem vestígios, para evitar broncas e punições. Alguns nem chegam a comer todo o cocô, brincam com eles e carregam pedacinhos na boca, que saem sob a forma de gases em canções axé-music, outros ainda usam o cocô na caneta-tinteiro e escrevem seus romances e crônicas com essa matéria-prima, e por fim temos aqueles que cospem a merda no ventilador. Tamufu é composto de ingredientes naturais que deixam as fezes com um sabor e odor nada atraentes. Ele é mais eficaz do que soluções caseiras como, por exemplo, colocar pimenta em cima das fezes, pois como ele é ingerido e processado você não vai precisar ficar vigiando cada ida ao banheiro para colocar a pimenta.


3. Wikipedia: Coprofagia (assim como a coprofilia, também conhecido como scat), copro em latim significa "fezes" e fagia "ingestão" sendo assim: prática de ingestão de fezes. Isto ocorre naturalmente em algumas espécies de animais, como cães, gatos, insetos e aves. Relata-se também tal prática em seres humanos, porém sob a categorização de patologia de ordem psíquica, ou desvio sexual (variação da coprofilia). Existe farto material de ordem hedonista a respeito do tema, principalmente proveniente do oriente. Ex. “José Serra falou merda sobre a gripe suína” em práticas de dominação sexual entre duas ou mais pessoas a pessoa dominante por vezes pode defecar sobre seu escravo, não só no corpo mas como também no rosto ou até dentro de sua boca obrigando-a até a ingerir suas fezes (da pessoa dominante), isto também é denominado "scatsex"[carece de fontes?]. Acredita-se que a coprofagia em cães ocorre por falta de alguma enzima no organismo[carece de fontes?]. Um caso de coprofagia que ganhou o interesse da imprensa especializada foi o escândalo da polonesa Cynthia Witthoft

4. Tamufu só funciona nas primeiras 24 horas em casos graves casos graves só depois de 48 horas cada dose de Tamufu corresponde a duas doses de Blue Label no Cruzeiro Hipocrático. Contra-indicações: diarréia em alto mar.

Daniel F.



Escrito por capro às 08h27
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Refletindo debruçado em Maurice Blanchot

O risco do desassossego, dessa ousadia pelo novo, pode levar a um distanciamento de nós mesmos e nos levar para um lugar árido e sem-sentido. Portanto, se o desejo é alcançar uma estética pessoal, devemos caminhar sem encantamentos ou deslumbramentos, sem perder de vista nosso próprio canto, sem ancorar prematuramente, sem desaparecer no próprio abismo. Esse caminhar precisa de algumas respostas: Como fugir do gozo covarde, comedido, medíocre e tranquilo, da covardia feliz e segura, própria das épocas de decadência? Como devolver à narrativa o canto imediato e a audição à quem ouve? Devolver o canto à narrativa, romper com o, simplesmente, contado, aí está um velho e retomado conflito; retornado como novo. O canto deve estar na sonoridade, no ritmo e na alegoria, e não, apenas, no conteúdo contado.

Romancear é navegar com paixão, mas com prudência, sem objetivo ou destino, mergulhado na estranheza do silêncio e nas entranhas do esquecimento, respeitando o tempo dos homens, mergulhando na imensidão e na particularidade, sendo o final, fruto do acaso. Em qual limite entre o real e o imaginário deve o autor navegar? É do tempo a palavra, e que faça delas aves cortantes e aventureiras em voo nos entres, ali na fenda úmida do acaso. E nessa viagem, encontre o autor um canto enigmático, o que permita um abrir-se ao infinito, liberando as palavras para espaços experimentais e nunca antes navegados; ou já navegados, mas esquecidos.

navegar é preciso

olhar atento e ouvido afiado

e ao ouvir um canto

lembre ser possível mergulhar

no sonho

mas será prudente não perder

o leme

que mergulhar em deslumbramos

e esquecimentos

fará da viagem apenas mais um naufrágio

sem sobreviventes
(lembra-se do canto das sereias?)

Como tirar do tempo os acontecimentos que o preenchem, deixando-o tão puro quanto uma película virgem, retirando dele o mundo como o conhecemos? Como sermos o anterior a qualquer registro? Não desejo meu tempo preenchido pelos acontecimentos externos, desejo-o livre, mesmo que ele carregue a idéia da morte, quero escrever sobre acontecimentos, brincar com imagens, criar minha própria ficção; minha verdade. Um mundo meu não morre com a morte de meu corpo.

O fenômeno da reminiscência

Transmutação do passado em presente, território próprio da imaginação, escrever à luz de tais instantes e trazê-los à luz. (Tempo Perdido – Proust).

Proust concederia uma obra mais pura feita de instantes, escrevendo à luz de tais instantes e trazendo-os à luz, da vivência dessas reminiscências intemporais que o imaginário experimenta transmutando o passado em presente, sem acréscimos, sem recorrer às lembranças voluntárias nem às verdades de qualquer ordem que não do imaginário, dos pontos onde ela se origina. Dentro dessa ótica, a arte só poderia ser feita de momentos breves, uma obra não pensada, recebida como um dom. Existiria um mundo de essências intemporais?

INSTANTE

a essência

é o cio ovulatório

do vazio



Escrito por capro às 08h31
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OS PASSOS PARA UMA NARRATIVA CONTEMPORÂNEA

(Partindo de Derridá, Deleuze, Walter Benjamim e Lukacs – Fonte fundamental: Derridá e a Literatura – Evando Nacimento - EdUFF)

 

Uma narrativa, um conto, um texto literário:

1) não deve ser difícil nem fácil, mas desafiar o leitor a se desdobrar, a inventar estratégias na medida da “leitura intensiva”, devendo ser lida com rigor. O leitor deve aceitar a aventura do pensamento como o que simplesmente advém, na proporção exata do abandono da atitude preconcebida, sem ser inteiramente fechado, obscuro, de compreensão muito difícil.[2]

 

2) deve ter um jogo de palavras que vá às últimas consequências, às vias de fato, descoser, dentro da metáfora do texto como tecido.

 

3) deve exigir uma nova educação dos sentidos, excluindo toda facilidade que pudesse sacrificar o que está desde sempre em jogo, renunciando aos esquemas convencionais, exigindo uma leitura atípica, que não pretende nenhuma exaustão, nem tem uma metodologia prefixada, deixando-se levar pela experiência.

 

4) só é um texto se oculta ao primeiro olhar, ao primeiro que vier, a lei de sua composição e a regra de seu jogo.  A lei e a regra não se abrigam no inacessível de um segredo, simplesmente nunca se entregam, no presente, a nada que se possa, de maneira rigorosa, nomear uma percepção.

 

5) enquanto tecido, existe sempre um novo fio a ser puxado, mesmo no mais supostamente já lido.

 

6) deve ter como característica ser uma literatura pensante[3] – exige um conhecimento de autores como: Nietzsche, Freud e Heidegger.

 

7) exige um leitor instruído a recusar a evidência e a univocidade de qualquer noção, categoria, conceito ou, em suma, nome.

 

8) contempla o fato de toda metáfora fazer sentido dentro de uma rede de signos, com os quais os textos da desconstrução trabalham permanentemente.

 

9) deve ter como estilo o pedaço, ir ao encontro da ideia de que o ato de ler é fundamentalmente tradutório e que nenhum texto pode ser considerado como já lido de maneira absoluta.

 

10) pela repetição, desnuda uma cena, abrindo quem sabe para uma outra cena, trabalha como se fosse uma cópia da cópia; um simulacro.



[2] Hermes (deus hermetismo e hermenêutica) deus do mistério e da arte de decifrá-lo. Qual o limite entre o hermético ou não?  Finnegans Wake ou A Maçã no Escuro promovem a radicalização do já bastante radical, portanto, não deve se aconselhado como primeira leitura de Joyce ou Clarice Lispector. O que é hermético hoje pode não ser amanhã.

[3] a obra de arte constitui o entrelugar, segundo Walter Benjamim, em que o texto pressiona o contexto na reflexão enquanto lugar do sujeito. Na operação de reflexão o sujeito é representado na medida em que o espectador desdobra a reflexão da obra.



Escrito por capro às 08h20
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