escatológico-apocalíptico-atmosférico


14/01/2015


 

Opinião de leitor:

Comprei vários livros no final de ano, da Cosac Naify, dentre eles três livros infantis: O elefante de Bartolomeu Campos Queirós, ilustração 9LI, Coisas que eu queria ser de Arthur Nestrovski, ilustração Maria Eugênia e ...A bicicleta Epiplética de Edward Gorey, ilustração do próprio autor, todos os três dispensando apresentações.
A bicicleta epiplética é o melhor dos três. As ilustrações em branco e preto, em traços finos harmonizados com o texto, dois personagens que encontram uma bicicleta e seguem em uma viagem surrealista... Alguém poderia questionar um livro infantil com dois personagens idosos, mas aí encontra-se o mote sutil do autor.
Em O elefante, Bartolomeu (para mim um dos melhores escritores mineiros) trabalha com o simbólico, faz das linhas das mãos uma viagem ao fantástico e ao inesperado. Há um volume nas ilustrações que não chega a comprometer o equilíbrio entre texto e imagem.
Já em Coisas que eu queria ser, além de o texto sugerir que as histórias foram escolhidas apressadamente e sem cuidado, há o peso das ilustrações, seja no volume, seja no uso das cores, que não dialogam de modo equilibrado com os textos - não é um livro para ler nem para visualizar, texto e imagens digladiam-se o tempo todo.

...

Escrito por capro às 10h14
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Dos livros adultos editados pela Cosac Naify comprei Vermelho Amargo de Bartolomeu Campos de Queirós, uma novela poética absolutamente fantástica. Devemos prestar atenção no maravilhoso trabalho gráfico de Maria Carolina Sampaio:

A esposa ...de meu pai prezava o tomate sem degustar o seu sabor. Impossível conter em fatia frágil - além da cor, semente, pele - também o aroma. Quando invertida, a palavra aroma é amora. Aroma é uma amora se espiando no espelho. Vejo a palavra enquanto ela se nega a me ver. A mesma palavra que me desvela, me esconde. Toda palavra é espelho onde o refletido me interroga. O tomate - rubro espelho - espelhava uma sentença suspeita.

Boa leitura...

Escrito por capro às 10h13
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estou
a caçar cócegas
sorrir
maritacas e sabiás
os tempos
são para relógios sem ponteiro
e bússolas surtadas


Escrito por capro às 10h11
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Meu presente de Natal um pouco atrasado dado pelo filho de uma caseira cuja mãe eu cuido: duas bolinhas verdes de vidro, chamávamos de bolinha-de-gude - havia dito a ele que Papai-Noel não chegava na minha casa. Três anos, entregou-me sem coração partido, despojado, foi seu dia de Papai-Noel, não trouxe o presente num saco, mas no coração.


Escrito por capro às 10h10
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compro
agulha e linha
para alinhavar os ventos
e as poeiras
quero vestir o tempo
com a túnica
das virgens e das sereias


Escrito por capro às 10h09
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enquanto
homens se matam
os girassóis
anoitecem as sementes
e as crianças
sonham luas e estrelas


Escrito por capro às 10h09
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Escrito por capro às 10h08
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