escatológico-apocalíptico-atmosférico


15/02/2015


Parábasis (ao amigo em seus 50 anos)

ancorado no vento
pressente-se oceanos e marolas
como se Marte
ou a morte liquefeita nos óvulos
dos mexilhões
de SAMPIVA a Gilberto Mendes
nos terminais
onde estivadores agregam contêineres
em conta-gotas
ponte-pênsil-Eros-Afrodite-Apolo
insanidade bifocal
na orla da pós-lucidez tergiversante
dos afe(c)tos
transmodernos e transbordantes
Plínio Marcos
a sintonizar os tentáculos orgíacos
dos po(l)vos
praça Benedito Calixto
Copan, Augusta, Haroldo de Campos, Pignatari
Casa das Rosas
incendiário campos de girassóis
sol da tarde
em pleno oceano descarnado de naus
náuseas, vômitos e ebolas
o atonal de cordas vocais insanas
em delirantes anseios
na corda bamba de Sodoma
pura seiva de gestações e brotamentos
da imponderável
tempestade que enraíza trovões e raios
em águas profundas
em orgasmo oceânico transbordante
e o Mar e o Mar e o Mar
cinquenta anos a soprar da terra
ao oceano
do oceano o eco que se apalpa
e repercute em SAMPA
nos hordéolos sacros do largo São Bento
da Mário de Andrade
aos cultos profanos do centro velho
Vila Lobos e John Cage
no entre a Mata Atlântica e o poema
vagante em névoas
Dulcinéia-Pessoa-Flavio Viegas Amoreira
a lua aspirante
nascente às 3h29 e morrente às 16h40
quarto-minguante
recolho a âncora e mergulho no vazio
refletido na luz do nada

Sampa 15.2.2015 – cinquentenário
de Flávio Viegas Amoreira

Escrito por capro às 10h58
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Homem, de 56 a 65 anos, Portuguese, Danish, Arte e cultura, Cinema e vídeo, Livros e Música

Histórico