escatológico-apocalíptico-atmosférico


23/10/2016


Atender com o coração

onde dói?
é aqui doutor, bem no coração
acelerou!?
tumtátumtátumtátumtátumtá
enfermeira, traga o desfibrilador!
choque não, doutor!
me dê a sua mão...
tum-tá, tum-tá, tum-tá, tum-tá

(A medicina cria pessoas doentes, a matemática, pessoas tristes, e a teologia, pecadores. - Martinho Lutero)

To assist whit one's heart

Where does it hurt?
It is here, doctor, right here, in my heart!
Did it speed up?
Thumpthumpthumpthumpthumpthump
Nurse, bring me the defibrillator!
Shock? Please, don't, doctor!
Give me your hand...
Thump-thump, thump-thump, thump-thump

Escrito por capro às 10h42
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13/12/2015


Eu gosto disso...
espremer pulgas
e caçar borboletas nas madrugadas

Eu gosto disso...
aprisionar ratos
e pisar em baratas nos bueiros

Eu gosto disso...
assediar formigas
e inverter besouros no jardim

Eu gosto disso...
lesmar na cama
até a última gota da noite

Eu gosto disso...
assoprar prosas
e historiar palavras a esmo

Eu gosto disso...
me amoitar
diante dos sonhos inúteis

Eu gosto disso...
dos ismos perdidos
e da agudeza da lâmina do vento

Eu gosto disso...
relinchar no aclive
e surfar nas ruas descidas

Eu gosto disso...
ao contrário
você um escutador a menos


Escrito por capro às 12h03
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Donjuanesco lisboeta...

Tempos corridos na época de Salazar quando nem salazes nem ligeiras fantasias ao povo eram permitidas. Em Lisboa vivia um gajo esperto no trato cujo negócio envolvia todo tipo de vinho. Jovem ainda, de bom porte e boa lábia, não tinha dificuldades para vender gato por lebre se o sujeito diante dele quisesse mostrar conhecimento daquilo que não dominava. E que se cuidassem os militares, o hormônio fervilhava dentro dele, além de sentir certa atração pelas mulheres dos fardados, transformando cada conquista no seu modo revolucionário de ser contra a ditadura ali imposta. Seu ponto era muito bem frequentado pela fama de profundo conhecedor de uvas e dos fermentados, fosse em garrafa de vidro ou tonel de madeira, sem deixar de acrescentar que também pelo interesse das mulheres pelo português de fala tortuosa e olhar que por si só já as deixava molhadas e preparadas para o orgasmo. E assim foi enriquecendo, afiando as papilas gustativas dos fregueses com suas histórias sobre a qualidade de determinado vinho que oferecia primeiro às mulheres, pois era delas a primeira nota, mergulhadas em sexo oral com o cristal do cálice, como se aquilo fosse o falo do jovem negociante. Era sempre um vinho vagabundo que oferecia a preço de ouro e de um encontro marcado com as mulheres no quarto reservado no fundo de um comércio onde faziam as unhas e os cabelos. Ali, num conluio amoroso recheado de vinho de primeira, enquanto os motoristas aguardavam o retorno delas dentro de suas viaturas, as esposas dos coronéis e comandantes experimentavam, fosse de madeira ou vinho do porto, uma gota que o gajo deixava cair suavemente sobre a própria glande para somente depois desse delicado ritual terem o corpo penetrado pelo falo enrijecido daquele Don Juan revolucionário. Conta-se que descoberto fugiu para o Brasil antes da revolução dos cravos em setenta e aqui fixou morada, vindo a falecer já depois dos noventa.

Escrito por capro às 11h59
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14/11/2015


Escrito por capro às 20h58
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04/06/2015


A visão bipolar de um ovo de avestruz - na Amazon: livro e Kindle.

http://www.amazon.com.br/vis%C3%A3o-bipolar-ovo-avestruz-ebook/dp/B00VZG8YW4

 

Escrito por capro às 12h11
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‪#‎circuitosescdeartes‬ em ‪#‎caucaiadoalto‬ traz a literatura misturada com a criatividade e a consciência ambiental, na oficina da Dulcineia Catadora. E quem tiver em casa um livro que já leu pode trocar por outro na instalação Leve Livro. Amanhã (10/5) esta programação estará no Sesc Campo Limpo. www.sescsp.org.br/circuitosescdeartes

Fotos: Zé Carlos Barretta

Foto de Sesc Campo Limpo.
Foto de Sesc Campo Limpo.
Foto de Sesc Campo Limpo.

Escrito por capro às 12h07
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Sempre havia uma janela que dava para uma rua, uma rua a olhar a janela, talvez houvesse uma criança ali e outras a correr na rua... É que faz tanto tempo! E as ruas... Tão vazias que não me vejo mais naquela janela ou na rua... Hoje a janela me espreita com seus dentes de ferro e máquinas pisoteiam os sonhos no asfalto.
foto: 1.bp.blogspot.com

Escrito por capro às 11h45
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diante da porta: não sei se entro ou se saio
há um não lugar entre o prego e o hiato
onde sombras evaporam dentes de leite
e uma janela que entra em mim em suicídio

Escrito por capro às 11h42
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21/04/2015


http://www.amazon.com.br/vis%C3%A3o-bipolar-ovo-avestruz-ebook/dp/B00VZG8YW4

Escrito por capro às 13h39
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15/02/2015


Parábasis (ao amigo em seus 50 anos)

ancorado no vento
pressente-se oceanos e marolas
como se Marte
ou a morte liquefeita nos óvulos
dos mexilhões
de SAMPIVA a Gilberto Mendes
nos terminais
onde estivadores agregam contêineres
em conta-gotas
ponte-pênsil-Eros-Afrodite-Apolo
insanidade bifocal
na orla da pós-lucidez tergiversante
dos afe(c)tos
transmodernos e transbordantes
Plínio Marcos
a sintonizar os tentáculos orgíacos
dos po(l)vos
praça Benedito Calixto
Copan, Augusta, Haroldo de Campos, Pignatari
Casa das Rosas
incendiário campos de girassóis
sol da tarde
em pleno oceano descarnado de naus
náuseas, vômitos e ebolas
o atonal de cordas vocais insanas
em delirantes anseios
na corda bamba de Sodoma
pura seiva de gestações e brotamentos
da imponderável
tempestade que enraíza trovões e raios
em águas profundas
em orgasmo oceânico transbordante
e o Mar e o Mar e o Mar
cinquenta anos a soprar da terra
ao oceano
do oceano o eco que se apalpa
e repercute em SAMPA
nos hordéolos sacros do largo São Bento
da Mário de Andrade
aos cultos profanos do centro velho
Vila Lobos e John Cage
no entre a Mata Atlântica e o poema
vagante em névoas
Dulcinéia-Pessoa-Flavio Viegas Amoreira
a lua aspirante
nascente às 3h29 e morrente às 16h40
quarto-minguante
recolho a âncora e mergulho no vazio
refletido na luz do nada

Sampa 15.2.2015 – cinquentenário
de Flávio Viegas Amoreira

Escrito por capro às 10h58
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14/01/2015


 

Opinião de leitor:

Comprei vários livros no final de ano, da Cosac Naify, dentre eles três livros infantis: O elefante de Bartolomeu Campos Queirós, ilustração 9LI, Coisas que eu queria ser de Arthur Nestrovski, ilustração Maria Eugênia e ...A bicicleta Epiplética de Edward Gorey, ilustração do próprio autor, todos os três dispensando apresentações.
A bicicleta epiplética é o melhor dos três. As ilustrações em branco e preto, em traços finos harmonizados com o texto, dois personagens que encontram uma bicicleta e seguem em uma viagem surrealista... Alguém poderia questionar um livro infantil com dois personagens idosos, mas aí encontra-se o mote sutil do autor.
Em O elefante, Bartolomeu (para mim um dos melhores escritores mineiros) trabalha com o simbólico, faz das linhas das mãos uma viagem ao fantástico e ao inesperado. Há um volume nas ilustrações que não chega a comprometer o equilíbrio entre texto e imagem.
Já em Coisas que eu queria ser, além de o texto sugerir que as histórias foram escolhidas apressadamente e sem cuidado, há o peso das ilustrações, seja no volume, seja no uso das cores, que não dialogam de modo equilibrado com os textos - não é um livro para ler nem para visualizar, texto e imagens digladiam-se o tempo todo.

...

Escrito por capro às 10h14
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Dos livros adultos editados pela Cosac Naify comprei Vermelho Amargo de Bartolomeu Campos de Queirós, uma novela poética absolutamente fantástica. Devemos prestar atenção no maravilhoso trabalho gráfico de Maria Carolina Sampaio:

A esposa ...de meu pai prezava o tomate sem degustar o seu sabor. Impossível conter em fatia frágil - além da cor, semente, pele - também o aroma. Quando invertida, a palavra aroma é amora. Aroma é uma amora se espiando no espelho. Vejo a palavra enquanto ela se nega a me ver. A mesma palavra que me desvela, me esconde. Toda palavra é espelho onde o refletido me interroga. O tomate - rubro espelho - espelhava uma sentença suspeita.

Boa leitura...

Escrito por capro às 10h13
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estou
a caçar cócegas
sorrir
maritacas e sabiás
os tempos
são para relógios sem ponteiro
e bússolas surtadas


Escrito por capro às 10h11
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Meu presente de Natal um pouco atrasado dado pelo filho de uma caseira cuja mãe eu cuido: duas bolinhas verdes de vidro, chamávamos de bolinha-de-gude - havia dito a ele que Papai-Noel não chegava na minha casa. Três anos, entregou-me sem coração partido, despojado, foi seu dia de Papai-Noel, não trouxe o presente num saco, mas no coração.


Escrito por capro às 10h10
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compro
agulha e linha
para alinhavar os ventos
e as poeiras
quero vestir o tempo
com a túnica
das virgens e das sereias


Escrito por capro às 10h09
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BRASIL, Sudeste, Homem, de 56 a 65 anos, Portuguese, Danish, Arte e cultura, Cinema e vídeo, Livros e Música

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